2014-06-25

Vítor Rodrigues de Carvalho

“A aplicação dos SIG na gestão das cidades é infindável”

Em Portugal há mais de 25 anos, a Esri é uma referência entre os Sistemas de Informação Geográfica (SIG). Vítor Rodrigues de Carvalho, consultor de negócios da Administração Local da Esri Portugal, explica de que forma esta tecnologia pode ajudar na gestão de uma cidade.


Como define uma cidade inteligente?

Vítor Rodrigues de Carvalho: O conceito de “cidades inteligentes/smart cities” está cada vez mais na ordem do dia, estando este conceito baseado em inovação, inteligência e na capacidade criativa dos diversos agentes locais, que, de forma integrada e através da utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), pretendem implementar soluções eficientes que garantam ganhos de eficácia e melhoria da qualidade de vida e da sustentabilidade das cidades ou comunidades em que vivemos. Este modelo visa garantir o planeamento e desenvolvimento urbano sustentável assente em grandes eixos, como sejam o Ambiente, Energia e Recursos Naturais, Monitorização, Optimização dos sistemas de Transportes, a Governação, Transparência e a Participação Pública dos Cidadãos, Desenvolvimento e Planeamento Urbanístico, a Segurança Pública e Resposta Social, Valorização Humana, Educação e Saúde. Este modelo será baseado em políticas e processos que potenciem as capacidades das Infra-estruturas tecnológicas existentes, sejam estas públicas ou privadas, e que garantam a resolução dos problemas, a atractividade e a melhoria da qualidade de vida das populações.

 

Como encaixamos os SIG nessa visão?

Os SIG, sendo um Sistema TIC, são a ferramenta por excelência que permite a Gestão e o Planeamento de todas as actividades num território, garantindo a espacialização e georreferenciação no mapa, de todos os fenómenos, que ocorrem diariamente nas nossas cidades e que, quer naturais, quer de intervenção humana, acontecem a uma determinada hora e num determinado local. Os SIG permitem a sua monitorização e garantem o acesso informação válida a quem necessita de tomar decisões em tempo real.

 

Qual o seu potencial na gestão da cidade?

A aplicação dos SIG na gestão das cidades é infindável e, aliada à integração com outros sistemas de gestão, permite, por exemplo, monitorizar a temperatura e a qualidade do ar, ou accionar um sistema de telegestão de rega dos espaços verdes, monitorizar os consumos de energia eléctrica por secção ou freguesia, modelar e gerir as infra-estruturas e redes de águas e saneamento, gestão de frotas, optimizar e redefinir os circuitos da rede de transportes públicos ou escolares ou alterar sentidos de trânsito, garantindo uma melhor fluidez dos veículos em determinadas zonas ou horas do dia.

 

E como podemos usá-los para melhorar a vida do cidadão?

Tendo como foco o cidadão/munícipe ou até mesmo o Turista, os SIG permitem, disponibilizar informação de percursos turísticos, localização dos pontos de interesse e monumentos a visitar, permitem pesquisar serviços públicos, como serviços financeiros, aeroportos, farmácias de serviço, hospitais, etc., ou até um local para almoçar ou jantar ou mesmo um local de diversão nocturna. Com a massificação da utilização de dispositivos móveis e a vulgarização das redes Wi-Fi, é hoje possível efectuar uma sugestão ou reclamação, através do seu smartphone ou tablet, dando conta de qualquer ocorrência na via pública, como a falta de iluminação, um buraco na via, ou até a denúncia da deposição de resíduos (“monstros”) em locais desapropriados, aos serviços municipais. A Segurança Pública e a resposta aos pedidos de socorro é, hoje em dia, muito crítica e põe à prova diariamente um conjunto de Agentes Locais (Policiais, Protecção Civil e Bombeiros), sendo um factor decisivo o tempo de resposta e de prestação de auxílio aos munícipes. Também neste âmbito os sistemas SIG tem tido um papel fundamental na melhoria dos tempos de resposta e no despacho e encaminhamento de meios em situações de emergência ou até de Catástrofe. Sabemos hoje, que quando existe uma vaga de frio ou de calor, aumentam exponencialmente a afluência às urgências dos Hospitais, com patologias típicas provocadas pelos factores climatéricos adversos, sendo sempre os mais afectados os grupos de maior risco, como sejam as crianças e idosos. Ora, através dos SIG, conseguimos estudar e monitorizar estes fenómenos e tomar medidas preventivas e de minimização dos impactos, tentando garantir a articulação de todos os agentes que integram os sistemas de saúde (médicos, hospitais, misericórdias, farmácias, ambulâncias, etc.). Podemos ainda estudar fenómenos como epidemias ou pandemias, etc.

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