2017-12-06

Que cidades se destacaram pela acção climática em 2017?

Dez cidades foram ontem distinguidas, durante a North American Climate Summit, em Chicago, pelas suas boas práticas na sustentabilidade ambiental e acção climática. Pela quinta vez, a rede de cidades mundial C40 e a Bloomberg Philanthrophies premiaram as ideias mais inovadoras de entre mais de 170 que se candidataram em cinco categorias. Chicago, Copenhaga, Nova Iorque, Dar es Salaam, Phoenix, Auckland, Fort Collins, Cidade do México, Washington D.C, e Wuhan foram as estrelas da cerimónia.

 

Na categoria Cities4Energy, que visa a eficiência energética nos edifícios e o uso de energia limpa, o prémio foi entregue à cidade anfitriã, Chicago, pelo seu programa de reabilitação energética Retrofit Chicago, e a Copenhaga, pelo programa de monitorização, gestão e operação do uso de energia em edifícios públicos, no âmbito do projecto Energispring.

 

Nova Iorque e Dar es Salaam foram as escolhidas em matéria de Mobilidade. Na Big Apple, o mérito coube ao Programa South Bronx Clean Truck, que acelera a aquisição de veículos de baixo carbono e a substituição de frotas mais antigas e poluentes, enquanto, na maior cidade da Tanzânia, foi o Projecto DART (Dar Rapid Transit) que valeu o prémio. O DART desenvolveu um sistema de autocarros rápidos (BRT) que pretende aumentar as acessibilidades dentro da cidade e reduzir a dependência automóvel.

 

Na categoria Cities4ZeroWaste, que premeia estratégias inovadoras para a redução dos resíduos, a vitória foi para Phoenix e Auckland. Esta última, na Nova Zelândia, desenvolveu um plano para impedir que 65% dos resíduos deixados nas ruas, responsável por um décimo das emissões de gás com efeitos de estufa, vá parar a aterros. Recuperar, reutilizar ou reciclar são as palavras chave do mecanismo desenvolvido, que associa um custo aos resíduos enviados para aterro e que corresponde aos verdadeiros custos do seu tratamento. Nos Estados Unidos, a iniciativa Reimagine Phoenix ambiciona desviar de aterro 40% dos resíduos gerados na cidade em 2020 e alcançar o estatuto de “zero waste” em 2050.

 

Na acção climática pura (Cities4Action), a distinção foi entregue a Fort Collins, pela sua ambição em alcançar a neutralidade carbónica em 2050 e que conta já com uma redução de 25% das emissões per capita e uma taxa de desvio de resíduos de 60%. A par da norte-americana, também a Cidade do México saiu vencedora, graças ao seu Programa de Acção Climática para o período 2014-2020, que aposta na resiliência das comunidades com menores rendimentos, dos idosos e das mulheres, reconhecendo o impacto desproporcional que os eventos climáticos extremos têm nos mais membros mais vulneráveis da sociedade.

 

A pensar no amanhã, a categoria Cities4Tomorrow premiou Washington, D.C., pelo seu compromisso de longo prazo com a resiliência climática, que terá efeitos no sistema de transportes, nos edifícios, bairros e, também, a nível das políticas implementadas, e Wuhan pela estratégia da cidade chinesa para requalificar e revitalizar as margens do rio Yangtze, que contribuirá para diminuir a poluição e criará espaços verdes e de recreio, assim como vias pedonais e cicláveis.

 

“Actualmente, a nossa filosofia em todo o mundo deveria ser 'pensa local, age global'. Os vencedores dos prémios C40 Cities Bloomberg Philanthropies são a prova da fantástica inovação e do progresso disruptivo levados a cabo pelas cidades de todo o mundo para moldar o século que temos pela frente”, afirmou Anne Hidalgo, a mayor de Paris e chair da rede C40, acrescentando que estes projectos devem ser vistos como exemplos para que “outras cidades possam adaptar e acelerar os seus esforços”.

 

“As cidades estão a ajudar as nações a alcançar os objectivos definidos pelo Acordo de Paris, incluindo os EUA. Uma vez que as cidades partilham desafios comuns, cada um destes projectos vencedores tem o potencial para melhorar vidas em todo o mundo – ao mesmo tempo que melhoram as nossas probabilidades na luta contra as alterações climáticas”, referiu Michael R. Bloomberg, enviado especial das Nações Unidas para as Cidades e Alterações Climáticas e presidente do quadro da C40.

 

Mais de 174 projectos de 92 cidades submeteram a sua candidatura aos prémios C40 Cities Bloomberg Philanthropies, dos quais foram identificados, por um quadro de especialistas mundiais em sustentabilidade urbana e alterações climáticas, 25 finalistas. Alguns dos exemplos podem ser conhecidos abaixo:

 

 

Cities4Action

 

Oslo

A Estratégia para o Clima e para a Energia da capital da Noruega tem como objectivo a neutralidade carbónica, tendo traçado, para isso, como meta a redução das emissões de gases com efeito de estufa em 50% até 2020. Para 2030, o plano é ainda mais ambicioso, procurando uma redução de 95% deste tipo de emissões, quando comparado com os níveis de 1990. Para isso, estão a ser retirados milhares de lugares de estacionamento automóvel da cidade e está a ser promovida a economia de partilha.

 

Cities4Energy

 

Qingdao

A cidade chinesa de Qingdao quer travar a emissão de gases com efeito de estufa, sem colocar em causa a sua expansão. Para isso, desenvolveu um plano focado na questão da climatização e na necessidade de considerar os impactos negativos do uso de carvão para fins de aquecimento, tendo já sido definidos objectivos concretos.

 

Vancouver

O Programa de Edifícios Verdes de Vancouver pretende provar que o ambiente e os benefícios económicos não têm de ser duas realidades contraditórias. O foco está apontado para a promoção de casas mais eficientes do ponto de vista energético, capazes de poupar nos custos de manutenção e na conta da luz. O objectivo passa por generalizar a existência de casas passivas (Passivehaus) pela cidade canadiana.

 

Cities4Mobility

 

Bangalore

A cidade indiana de Bangalore quer promover a utilização do transporte público, ao mesmo tempo que reduz as emissões de CO2 e melhora a qualidade do ar. Nasceu, nesse sentido, o Sistema de Transporte Inteligente (ITS, na sigla em inglês). A cidade injectou 10 milhões de dólares para o desenvolvimento deste sistema, de modo a procurar modos alternativos de deslocação para os cidadãos.

 

Barcelona

Os Superblocks querem devolver a vida e a segurança às ruas de Barcelona. Aumentar a qualidade de vida e reduzir o impacto ambiental são pontos chave da iniciativa, que procura reduzir a dependência automóvel e promover o transporte público, assim como o andar a pé, de bicicleta. A iniciativa usa urbanismo táctico para reorganizar a circulação automóvel, que passa a ser condicionada dentro destes 'Super Quarteirões'.

 

Cities4Tomorrow

 

Hong Kong

A cidade de Hong Kong tem um plano que pretende mitigar as possíveis consequências das alterações climáticas. As suas muitas colinas e zonas montanhas, adjacentes ao centro urbano, com uma das maiores densidades populacionais do mundo, é propensa a deslizamentos de terra, provocados pelos cada vez mais frequentes fenómenos de precipitação extremos. O Programa de Prevenção e Mitigação de Deslizamentos de Terra da cidade é um projecto a longo prazo que procura proteger as infra-estruturas da cidade e os seus cidadãos.

 

Roterdão

Roterdão quer promover uma cultura de sustentabilidade através da implementação de coberturas verdes. O programa The Rotterdam Roofscape visa o desenvolvimento de projectos de coberturas verdes. A segunda maior cidade da Holanda fica abaixo do nível das águas do mar, encontrando-se, por isso, numa situação de particular vulnerabilidade perante as alterações climáticas.

 

Cities4ZeroWaste

 

Buenos Aires

O Centro de Reciclagem de Buenos Aires apresentou uma proposta inovadora que passa por iniciativas de consciencialização e sensibilização dos cidadãos locais.

 

Hong Kong

O T.Park é uma infra-estrutura que, desde Abril de 2015, converte os resíduos de esgoto - que anteriormente iam parar a aterro - em energia eléctrica, através de um processo de incineração. Com uma capacidade de 2 mil toneladas por dia, esta é a maior central de incineração de águas residuais do mundo. Esta central foi construída a pensar no futuro, já que, actualmente, Hong Kong é responsável pela produção de apenas 1200 toneladas de águas residuais todos os dias.

 

 

 

 

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