2017-09-13

“A iliteracia digital é o analfabetismo dos nossos tempos”

Frederico Raposo / Filipa Cardoso

No próximo dia 20 de Setembro, a Fundação Calouste Gulbenkian recebe a cerimónia final do movimento Apps for Good. A competição, que nasceu no Reino Unido, realiza-se pela terceira vez em Portugal e desafia alunos com idades compreendidas entre os dez e os 18 anos a encarnarem o papel de criadores e developers de aplicações móveis e de produtos orientados para a inovação social.

 

“Diz-se que a programação é tão importante hoje como há alguns anos era a necessidade de saber ler e escrever”. As palavras são de João Baracho, director executivo da CDI Portugal, uma organização não-governamental orientada para o desenvolvimento social através das tecnologias de informação e comunicação (TIC) e a entidade responsável pelo Apps for Good em Portugal. “A iliteracia digital é o analfabetismo dos nossos tempos”, afirma o responsável, explicando: “se a programação é muito importante para as crianças, nos escalões etários mais avançados a utilização da tecnologia como meio de comunicação e sociabilização torna-se fundamental para a empregabilidade, para a integração e evolução social e até para o combate ao isolamento”.

 

É precisamente neste sentido que o concurso Apps for Good se realiza em mais de mil instituições de ensino um pouco por todo o mundo, numa iniciativa anual que já alcançou, desde 2010, mais de 100 mil alunos.

 

O concurso oferece, com o apoio de conteúdos digitais e especialistas, as ferramentas que os alunos necessitam para, em trabalho de grupo, desenvolverem aplicações móveis funcionais que devem dar resposta a desafios relevantes do seu dia-a-dia. O trabalho desenvolvido pelos grupos de alunos compreende todas as fases de desenvolvimento de um produto, do desenho da ideia aos modelos de negócio a adoptar e à escolha de uma estratégia de marketing.

 

Para João Baracho, este é um desafio que direcciona os jovens para a “economia real” e que vem “permitir trabalhar a motivação dos jovens, de forma a que estes valorizem mais o seu papel na sociedade”. E este é, também, um desafio que tem como objectivo participar na inovação social, procurando respostas para vários tipos de problemas. “Afinal”, conta o director da organização responsável pelo concurso em Portugal, “os temas de desenvolvimento sustentável passam na sua maior parte pela resolução de problemas locais, e a partilha desses problemas com os jovens permite-lhes não só estarem conscientes dos temas, mas fundamentalmente preocupados em apresentar soluções para a sua resolução”.

 

O concurso é, ele próprio, fruto da inovação social, revelando-se “muito importante na implementação de uma nova forma de encarar o processo educativo”, fazendo uso da tecnologia “como forma de inclusão social e digital”. Apesar de não ser “somente um programa de ensino da programação, seduz estudantes e professores para a utilização da tecnologia de forma simples e metódica” e “permite a ligação da escola ao ‘mundo real’”, num processo de ensino em que o professor se afasta “do papel de líder” e assume “o papel de facilitador”. Em jeito de sumário daquilo que é o Apps for Good, João Baracho conclui que o concurso permite a capacitação dos jovens, para que estes se sintam “capazes de ser eles próprios a mudar o mundo em que vivem, uma vez que o objectivo final é o desenvolvimento de apps para smartphones ou tablets que abordem um tema de desenvolvimento sustentável do mundo em que vivemos”.

 

No edição de 2015/2016 do concurso, o vencedor nacional foi a aplicação FQ9, desenvolvida por uma equipa de alunos da Escola Secundária de Sacavém, com o objectivo de auxiliar os alunos do 9º ano de escolaridade a estudar para a disciplina de Físico-Química. Na edição anterior, o lugar mais alto do pódio foi para EBSSA + Especial, uma app desenvolvida por alunos da Escola Básica e Secundária de Santo António, no Barreiro, para ajudar aqueles que têm mais dificuldades em comunicar. Para a edição de 2017/2018, as inscrições estão já a decorrer aqui

 

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