2017-04-10

Resiliência, uma forma de antecipar o futuro

inês Santos Silva*

É evidente que, nos últimos anos, as cidades reforçaram a sua importância estratégica no mundo. Hoje, as cidades apresentam posicionamentos e marcas próprias, competem com outras cidades por investimento, talento e turismo, mas também enfrentam desafios bem diferentes dos do passado.

 

Espera-se que, em 2050, 75% da população mundial viva em cidades e, aliando isto a todos os desafios relacionados com a globalização, alterações climáticas, pobreza e urbanismo, é essencial que as cidades sejam capazes de resistir a este “choques” tornando-se resilientes.

 

O conceito de resiliência vem da ecologia e traduz-se na capacidade de um ecossistema tolerar a perturbação sem desmoronar num estado qualitativamente diferente. De acordo com o ResilientCity.org, uma organização sem fins lucrativos que junta arquitetos, designers e engenheiros com o objetivo de aumentar a capacidade de resiliência de cidades e comunidades:

 

"Uma Cidade Resiliente é aquela que desenvolveu estruturas que lhe permitem absorver choques futuros nos seus sistemas e infra-estruturas sociais, económicas e tecnológicas, de modo a poder manter essencialmente as mesmas funções, sistemas e identidade".

 

Embora as cidades não possam prever o futuro e saber com certeza que perturbações são mais prováveis, elas podem preparar-se para isso, reforçando os sistemas e infra-estruturas que suportam a cidade.

 

Por reconhecer a importância das cidades resilientes, a Rockfeller Foundation criou a iniciativa “100 Resilient Cities”, selecionando 100 cidades de todo o mundo para assim:

 

  • Apoiar para contratação de um Chief Resilience Officer, uma nova posição que irá liderar os esforços de resiliência da cidade;

  • Partilhar experiências e ajudar a desenvolver uma estratégia de resiliência robusta;

  • Permiter o acesso a uma plataforma de parceiros que fornecem tecnologias e serviços para ajudar as cidades a implementar uma estratégia de resiliência. Os parceiros, a titulo de exemplo, incluem Microsoft, Swiss Re e Nature Conservancy;

  • Participar na Rede de 100 Cidades Resilientes, uma rede global de cidades que já colaboram e aprendem umas com as outras.

 

Lisboa foi uma das 100 cidades selecionadas, de entre mais de 1000 candidatas, e, de acordo com Paulo de Carvalho, director da Inovação da câmara municipal de Lisboa, em breve será conhecida a estratégia de reforço de resiliência de Lisboa, bem como o seu Chief Resilience Officer.

 

Com os desafios que se antecipam, acredito que nos próximos anos todos vamos ser chamados a participar na construção de cidades resilientes e que este tema não se irá ficar apenas pelas cidades, mas também pelas organizações e empresas. 

 

 

 

*Inês Santos Silva é a diretora executiva da Aliados | The Challenges Consulting, uma consultora de inovação focada na resolução de desafios com triplo impacto. Paralelamente, Inês tem-se especializado nas questões do Futuro do Trabalho.

 

 

#CIDADÃO é uma rubrica de opinião semanal que convida ao debate sobre territórios e comunidades inteligentes, dando a palavra a jovens de vários pontos do país que todos os dias participam activamente para melhorar a vida nas suas cidades. As opiniões expressas são da responsabilidade dos autores e não reflectem necessariamente as ideias da revista Smart Cities.

 

 

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