2016-09-21

Uma start-up no meio da Internet das Coisas em Portugal

Vítor Pereira

Quando olhamos para o espírito empreendedor de algumas pessoas em Portugal, é realmente notável a forma resiliente como ultrapassam as batalhas diárias na busca de soluções criativas e sustentáveis, para continuar a manter os seus negócios, pagar as obrigações e, obviamente, os salários, mas também investir e garantir que se mantêm na vanguarda tecnológica. Hoje, quero dar-vos a conhecer um desses casos.

 

Chama-se SPOTNET, quer ser “a primeira start-up portuguesa operadora em IoT” (Internet of Things) e “ajudar a construir este ecossistema em Portugal”. A experiência e inspiração da SPOTNET vêm de uma outra empresa tecnológica, que tem já provas dadas na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), a Lusolabs. “Aproveitando o ambiente empolgante de Lisboa para o lançamento de novas soluções tecnológicas, decidimos que estava na hora de dar um passo importante e criámos uma solução para as start-ups e cidades poderem ter um fornecedor de comunicações para Internet of Things totalmente independente”, referem Filipe Lacerda e Miguel Casimiro, fundadores da Lusolabs e os impulsionadores da SPOTNET.  

 

“Vivemos um momento muito importante não só em Lisboa, mas em Portugal e em todo o mundo”, acrescenta o também mentor na Startup Lisboa, referindo-se às potencialidades das novas tecnologias de comunicação, “que permitem uma democratização de soluções e ofertas, o estabelecimento de parcerias e o fomento de novos modelos de negócio”.

 

A Internet das Coisas (Internet of Things ou IoT) é um conceito ao qual já ninguém fica indiferente. Sabemos já todos que ainda estamos no início de uma nova era com milhões de dispositivos conectados e a comunicar entre si e que, em breve, serão milhares de milhão. Para a SPOTNET, a meta é clara: “Queremos impulsionar o ecossistema IoT e operar nas comunicações para desenvolver soluções futuras. Estamos centrados nesta área e queremos estar no mercado, trabalhando com protocolo aberto”, reforça Lacerda.

 

Criar uma plataforma de comunicação para a IoT “não é fácil”, acrescenta, explicando que se tratou de um processo moroso, com imensos testes pelo meio. “Inclusivamente, fornecemos Internet gratuita na Avenida da Liberdade, uma das zonas mais movimentadas e nobres de Lisboa”, o que permitiu obter dados que sustentaram a decisão de avançar para uma nova fase,“a fase em que teremos oportunidade de apresentar pilotos a cidades, estabelecer parcerias com eventos e outras start-ups ou empreendedores que desejem trabalhar nesta área do IoT”, conclui.

 

É sabido que existem, também, “imensas dificuldades em fazer evoluir soluções num ambiente start-up”, concorrendo com fornecedores tradicionais que também eles estão atentos ao mercado e a configurar novos pacotes de ofertas de serviços nestas áreas mais vocacionadas para o mundo empresarial. Contudo, garante que é também esta “flexibilidade” e “rapidez” de desenvolver e executar projectos que vai fazer a diferença.

Em carteira, Filipe Lacerda e Miguel Casimiro têm já uma possível colaboração com a cidade de Lisboa para demonstrar todas as capacidades tecnológicas da sua solução num grande evento. “Já temos garantido que vamos participar em eventos globais dedicados às smart cities e IoT, dentro e fora do país", revelam, preferindo, por enquanto, manter em segredo mais detalhes sobre o que por aí vem. “Não será apenas bom para a nossa empresa, será também uma condição libertadora para cidades e outras empresas”, deixam escapar.

 

Mas, porque há cada vez mais apetite por soluções inovadoras nestas áreas do IoT e Big Data, a solução SPOTNET pode tornar-se uma ferramenta com imenso potencial e boa relação qualidade/preço para ajudar a impulsionar a economia de pequenas cidades e vilas não só em Portugal, como em todo o mundo, à semelhança do que está já a acontecer com outras soluções nascidas em start-ups e que, entretanto, se agigantaram e se misturam, agora ,“na primeira divisão”.

 

É um mundo novo que, em breve, estará acessível a engenhosos, criativos e empreendedores nacionais que “sintam o mesmo espírito” de arriscar tudo por uma ideia, pensá-la e executá-la. “Mas que não julguem que tem sido fácil”, diz Filipe Lacerda, apontando como principal obstáculo a pouca apetência de responsáveis institucionais públicos para trabalhar com “pequenos” e também alguma burocracia e imperativos legais que, em outros países, já foi dirimido por forma a agilizar o nascimento de novas start-ups e empresas ligadas a esta nova e autêntica Economia 4.0.

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